Durante
essa semana me deparei com uma situação de suicido no ambiente em que trabalho
e cheguei a me perguntar, o que leva uma pessoa a querer acabar com a vida?O que passa na mente de um suicida?Essas questões me fizeram retroceder aos tempos em que estagiava no hospital e lidava constantemente com o Morrer.
O
ser humano percebe a vida como algo de imenso valor e totalmente frágil e
vinculada a um outro valor que é o significado da vida.O homem dá o sentido
para a vida e precisa dele para viver.Assim como somos solicitando a encontrar
um sentido também para o morrer.O ser humano bastante ocupado com as ocupações
do cotidiano,chega uma hora em que pensa em relação ao seu sentido de
viver.Existe ocasiões em que o sentido da morte se poe com uma nitidez e uma
premência enormes.Vê-se então o quanto o sentido que se dá a vida tem a ver
como sentido que vai ser dado a morte.Acredito que uma pessoa suicida é caracterizada pela ausência
radical de qualquer significação que
torna a sua vida um fardo que ele recusa.Com esse gesto o suicida gera ao seu
redor perplexidade, culpa,sentimentos confusos que vão da compaixão a raiva e
sobretudo,um sentimento de total impotência diante do esvaziamento do sentido.
A
vida é um permanente convite para que realizemos o melhor possível, aquilo que
tivemos possibilidade e oportunidade para realizar. E a morte se torna
perturbadora quando vemos que aquelas pessoas cuja vida gostaríamos de preservar,
talvez até mais que a nossa, podem morrer. A morte do outro aparece como uma perda,
pois a morte além de falar de perda, a perda fala da dor, e a dor é algo que assusta. Quando
a morte não nos toca de perto,podemos encará-la intelectualmente como uma coisa
que acontece a todo mundo,chegando até a ser algo familiar.Mas quando ela nos toca
mais proximamente,torna-se uma coisa estranha,gera um espanto.
Seria tão interessante se
muitos passassem a acreditar que a vida é uma oportunidade oferecida a cada instante, pois
cada momento da vida é a oportunidade que nos é dada para realizarmos aquelas
coisas cuja importância só será nitidamente revelada quando estivermos na
iminência da perda ou diante da própria perda.No decorrer de uma vida com sentido até o fim, o ser humano aproveitaria mais seus momentos,mas não descartaria a condição de ser mortal.